quarta-feira, 29 de julho de 2009

Olhares#1

Pôr-do-Sol sobre a Ilha de Luanda


Baia de Luanda - final de tarde




Baía de Luanda by night


terça-feira, 28 de julho de 2009

* INTRO


Terça-feira, 7 de Julho de 2009; duas e trinta da tarde. Acabado de chegar de um óptimo almoço composto de iguarias orientais, num restaurante Indiano no centro de Lisboa; eis que me anunciam a confirmação da minha ida para Angola. Finalizo os últimos pormenores de organização dos meus pertences no escritório, recolho documentação da viagem e acerto horas com os meus companheiros de projecto.

Depois de uma correria entre o trânsito de Lisboa, acabar de organizar a bagagem, voltar ao trânsito de Lisboa, chego finalmente ao Aeroporto Internacional de Lisboa para despachar bagagens e embarcar rumo a uma nova aventura cultural, desafio profissional e pessoal… E a componente pessoal começou logo nas despedidas de amigos, família e cara-metade. Esperam-me várias semanas de teste às minhas capacidades de resistência, num cenário out-of-the-box!

Aterrámos em Luanda perto das sete da manhã, após oito horas de voo. Não me lembro de viagem de longo-curso que tenha feito, que tenha custado tão pouco – fi-la quase toda a dormir, no limiar do profundamente, o que para mim é um feito! Na alfândega remodelada, segundo os meus colegas, o corrupio está instalado pela obtenção do “OK” do enfermeiro alfandegário, que verifica a validade do Boletim Internacional de Vacinação. Na verdade o senhor enfermeiro não valida nada, pois acaba por ser fácil (no meio da confusão) pedir o Boletim a outra pessoa e autenticá-lo de novo. O controlo não é efectivo, como tecnicamente se costuma dizer. Acabaria por perceber, dias mais tarde, que “faz parte”, esta desorganização constante neste país… No fundo, para quem se esquece ou simplesmente não tem o documento internacional que comprova a prevenção contra as n epidemias e afins que proliferam por regiões subdesenvolvidas como esta - e que como nós, habitantes de países ditos desenvolvidos, não desenvolvemos naturalmente anticorpos necessários e suficientemente resistentes àquelas maleitas; acaba por ser positivo, pois entre forjar uma autenticação dos requisitos de prevenção exigidos, ser vacinado no aeroporto de Luanda ou subornar com cem dólares o responsável da enfermaria, talvez a primeira opção seja, definitivamente e ironicamente, a mais saudável (para o corpo e para o bolso). Felizmente para mim obtenho uma validação efectiva no meu Boletim e lá prossigo os restantes passos do controlo alfandegário. Acabo por ser bafejado por alguma sorte, segundo os meus colegas, já que acabei por não passar pelas “passas de Luanda” no que toca ao melhor que o Aeroporto Internacional podia oferecer a um forasteiro recém-chegado: um controlo alfandegário-sauna!

O meu primeiro contacto com a realidade de Luanda acontece no trajecto entre o Aeroporto e a Baía da capital angolana. A minha primeira surpresa depara-se com o clima: é Inverno cá. Estava precavido para a generosidade afro-subsariana da estação, mas achei que ainda assim ia estar mais calor. Não está. Uma camada de nuvens a fazer lembrar Londres – já é conhecida como tal relativamente ao continente africano, temperatura amena. O trânsito é caótico! Já estive em países da América Central ou Norte de África, onde o trânsito é um problema. Já nem falo do trânsito para entrar em Lisboa, quer vindo de Norte ou Sul. Mas aqui o trânsito é verdadeiramente horrível, para além de pouco civilizado, flúi a muito custo ou simplesmente está parado. Conclusão: levámos quase duas horas para chegar à baixa de Luanda. Para mim são duas horas que voam com a quantidade de informação fotográfica a processar no meu “disco rígido”.

As primeiras horas em Luanda, fazem-me sentir que não pertenço a este lugar. Posso dizer que já viajei por alguns países e continentes, inclusivamente já tinha estado em África, mas não na sua maior plenitude, como Angola. Sinto-me um ser estranho aqui, quase como se não tivesse firmeza no andar. Chego à conclusão que o que me está a perturbar é a confusão, o rebuliço que comanda a vida nas ruas. Talvez pelo choque de culturas e de diferentes concepções de civilização. O que para mim, Europeu, é um dado adquirido, aqui é impensável; e o que para um Africano é prática comum, jamais me passaria pela cabeça conceber.

O dia acaba num restaurante fantástico da península, com uma vista nocturna sobre a baía Luanda maquilhada pelas luzes do capitalismo a iluminarem os edifícios, os novos, os velhos e os que estão a nascer, todos tão harmoniosamente desarrumados com a realidade.